Microsoft Research – Computadores Quânticos e QuBits

A Microsoft está decidida a aplicar os princípios da computação quântica na “vida real” e a disponibilizar esta tecnologia aos grandes centros de investigação. Esta é uma área frequentemente abordada pela literatura científica e pela ficção, no entanto saiba que há uma divisão da Microsoft Research que está a trabalhar em exclusivo nesta área há praticamente duas décadas.

O projecto de investigação está, desde o seu início, sob a coordenação do matemático Michael Freedman e o seu grupo de desenvolvimento está muito próximo de aplicar os primeiros princípios práticos de escalabilidade e armazenamento de informação complexa com recurso a tecnologia de computação quântica.

Uma das grandes novidades é relativa à fiabilidade e escalabilidade do armazenamento de informação em formato de “qubits” (bits quânticos). Nesta segunda-feira, no seu evento Microsoft Ignite, a companhia norte-americana demonstrou a aplicabilidade da sua tecnologia num ambiente de computação quântica e com recurso a uma nova linguagem de programação que interage com o programa Microsoft Visual Studio.

Este é um passo significativo, dado que estaremos na emergência da universalização desta nova tecnologia, algo que possibilitará a comercialização e o acesso a recursos de computação quântica localizados em centros de dados dedicados para o efeito. Estes espaços de computação poderão muito bem vir a ser denominados de “datacenters quânticos”.

Saiba tudo em: https://news.microsoft.com/features/new-microsoft-breakthroughs-general-purpose-quantum-computing-moves-closer-reality/

Vídeo disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=cOUrzxyng04 

Microsoft Project Olympus

A Microsoft apresentou em Novembro do ano passado uma parceria conjunta com vários fabricantes de hardware de renome para o desenvolvimento de servidores modulares de elevada eficiência energética e escalabilidade. O projecto tem a designação de Project Olympus e é uma plataforma de colaboração entre empresas criada no âmbito do “Projecto de Computação para todos” (Open Compute Project).

O projecto da Microsoft está a ganhar particular expressão e visibilidade dada a colaboração de um número cada vez mais crescente de empresas que no universo comercial são concorrentes entre si. O exemplo mais recente é o do anúncio, a 8 de Março deste ano, de que haverá uma integração dos novos chips de processamento da Qualcomm na rede Microsoft Azure.

A Qualcomm é tida como uma das potenciais concorrentes de peso da Intel e da AMD no mercado de servidores de classe empresarial, designadamente através da sua subsidiária Qualcomm Datacenter Technologies. A integração de chips de arquitectura ARM neste segmento é acolhida com grande expectativa dado que estes mesmos chips, com características similares aos existentes nos telemóveis, são reconhecidos pela sua elevada eficiência energética e capacidade de optimização de recursos de processamento.

Este é um de entre os inúmeros projectos que estão a ser desenvolvidos e implementados pelos principais fabricantes internacionais de hardware. A colaboração conjunta entre as empresas participantes no “Open Compute Project” está a reflectir-se no quotidiano das grandes empresas possibilitando uma redução de custos em equipamentos adicionais e um aumento da eficiência energética das suas infra-estruturas tecnológicas.

Os resultados actuais estão inclusive a ir ao encontro do propósito fundamental desta iniciativa conjunta que tem por princípio orientador comum a introdução de um factor de sustentabilidade energética e ambiental no universo dos servidores empresariais.

Saiba mais em http://opencompute.org/ e veja um vídeo de apresentação do projecto da Microsoft divulgado na rede Channel 9 em https://channel9.msdn.com/Series/Microsoft-Global-Datacenters/Microsoft-Project-Olympus

Jolla – Uma porta de entrada para a Nokia

A Microsoft adquiriu em 2014 a divisão de dispositivos móveis da Nokia. A decisão da empresa norte-americana havia sido anunciada no ano de 2013 e já se adivinhava desde que Stephen Elop ditou o fim do sistema operativo Symbian e abandonou o desenvolvimento da plataforma MeeGoo (uma das bandeiras da equipa de desenvolvimento da Nokia).

A cisão da marca finlandesa com a plataforma MeeGoo (baseada no sistema operativo Linux) fez com que a Nokia abraçasse o sistema operativo Windows Phone da Microsoft. Embora inicialmente não aparentasse ser uma boa decisão, a aposta de Stephen Elop revelou ser a opção certa para colocar de novo a Nokia numa posição de relevo no concorrido mercado dos smartphones.

A identidade da marca junto dos consumidores não afastou-se, de modo algum, daquela que possuía antes de abraçar o projecto Windows Phone. Aliás, é expectável que esta mesma venha a reforçar a sua posição no mercado e beneficiar consideravelmente da “união” com a empresa norte-americana.

No entanto, desenganem-se aqueles que consideravam que a Microsoft “andaria à boleia” do nome da marca finlandesa. A Nokia enquanto marca de telemóveis viu a sua existência cessada pela empresa norte-americana e pura simplesmente verá a sua identidade desvanecer-se nos meandros da história dos dispositivos de telecomunicação.

A Nokia não deixou nem deixará de existir como empresa dado que apenas vendeu a sua divisão de telemóveis. A empresa continuará presente em segmentos específicos da área de telecomunicações e manterá a sua divisão de software responsável pela plataforma Here Maps, de entre outros projectos.

(Continua em breve…)

Eleições Europeias 2014 (Resultados)

O Parlamento Europeu publicou um website onde são divulgados na íntegra os resultados das eleições europeias de Maio de 2014. O endereço é http://www.resultados-eleicoes2014.eu/

No website poderá encontrar os resultados globais (por famílias políticas europeias) e os resultados nacionais de cada país pertencente à União Europeia. Também são disponibilizados os dados comparativos com as eleições anteriores, realizadas no ano de 2009, entre outros dados estatísticos.

 

China – História Imperial

A civilização chinesa conta já com mais de quatro mil anos de existência documentada. Os grandes rios que percorrem o território impulsionaram o desenvolvimento da agricultura nos primórdios das grandes civilizações e nessa altura o sedentarismo começou a ganhar expressão.

A China é considerada a civilização mais antiga do mundo em existência e desde a criação do seu império que é considerada uma nação próspera e culturalmente avançada, graças em parte aos seus recursos naturais.

A constituição do Império Chinês data do ano de 221a.C., quando o primeiro imperador Qin Shi Huangdi iniciou a primeira dinastia Qin e unificou os vários estados feudais que compunham o território chinês. No decurso de dois milénios, a China Imperial foi governada por apenas sete dinastias e a estabilidade e continuidade destas apenas foi abalada durante as fases de transição das dinastias[i].

É interessante saber que nem sempre o Império foi governado por dinastias de origem chinesa.Duas destas dinastias pertenceram a povos considerados de origem bárbara[ii] pela maioria Han. A dinastia Yuan era de origem Mongol e governou entre 1271 e 1368. A dinastia Qing era de origem Manchu e dirigiu o destino da China no período de 1644 a 1911, até ao final do império.

Os períodos de turbulência vividos durante as fases de transição tinham normalmente a sua origem na contestação do povo perante os privilégios da pequena elite que, no seu entender, corrompia o poder político e o seu prestígio. Esta é uma característica importante a reter do período imperial. Os governantes sempre reclamaram para si a honra e a virtude de governar a poderosa civilização chinesa, os chineses apelidavam-nas como o Mandato dos Céus.

Apesar da alusão a uma espécie de divina tarefa, a população teve sempre a capacidade suficiente para derrubar os seus governantes e o sentimento momentâneo de insatisfação disseminava-se pela sociedade chinesa com uma rapidez impressionante.

Em meados do séc. XIX, começa a desenrolar-se uma série de eventos importantes para a história moderna e o declínio do Império Chinês. Desde o século passado que o império procurava a todo o custo controlar as suas relações comerciais com o exterior aplicando medidas de restrição a estas mesmas.[iii]

A atractividade da economia chinesa e o seu potencial fez com que as nações ocidentais tentassem nesse período obter privilégios comerciais com o império. Contudo, a diplomacia ocidental nunca atingiu as suas intenções. Na década de quarenta do séc. XIX, o desentendimento diplomático entre a Grã-Bretanha e o Império Chinês dá origem a uma ofensiva militar britânica que desencadeia a famosa “Guerra do Ópio”[iv] (1939-42). O Império Britânico saiu vencedor e obrigou o império derrotado a assinar o Tratado de Naijing.

No tratado, a China era forçada a prestar uma série de concessões aos países ocidentais, incluindo a abertura das suas relações comerciais ao Ocidente e a cedência do entreposto comercial de Hong-Kong à Grã-Bretanha. A assinatura do tratado continua ainda hoje a ser considerada uma humilhação imposta ao povo chinês. Na Região Administrativa Especial de Hong-Kong, a população chinesa também guarda algum ressentimento em relação aos britânicos e a transição desta não foi pacífica aquando da sua devolução em 1997. Por curiosidade, note-se que em Macau o sentimento é precisamente o inverso do anterior e a passagem de Macau para as autoridades chinesas decorreu de forma absolutamente pacífica. Portugal continua ainda hoje a manter boas relações diplomáticas com a República Popular Chinesa.[v]

Regressemos à sua história. No início do séc. XX, a população chinesa começa a expressar o seu sentimento de revolta perante o desprestígio do imperialismo chinês, a corrupção entre os membros do aparelho burocrático e a sua submissão ao Ocidente. Analogamente ao que é referido mais acima, o comportamento da população começa a ameaçar a soberania imperial e culmina naquela que é conhecida como a “Revolta dos Boxeurs”. No entanto, a rebelião é literalmente esmagada com o auxílio militar dos países estrangeiros que exploram as concessões chinesas.

Nesta primeira década, a fome e a pobreza generalizadas assolam a população chinesa de maioria Han. A tensão social é o factor que precipita a criação dos movimentos populares nacionalistas de espírito reformista e revolucionário. Em 1910, há uma tentativa falhada de golpe de estado liderada por Sun Yat-sen que fica conhecida como a “Revolução de 29 de Março”. Curiosamente nesse ano a escravatura é oficialmente abolida.[vi] Um ano depois, um conjunto de rebeliões armadas toma o controlo de todas as províncias chinesas e, em 1912, a República Chinesa é proclamada por Sun Yat-sen. O regime republicano começa assim com o fim de mais de dois milénios de governação imperial.[vii]

 

[i] Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 10

[ii] “Some of the most important dynasties in Chinese history were of non-Chinese (or, as far as many Chinese were concerned, ‘barbarian’) origin. The ruling elite of the Yuan dynasty was Mongolian and the aristocracy of the Qing dynasty was Manchu; both of these came from people who had their origins in nomad tribal confederations of the vast regions to the north of China. Their languages, cultures and traditions were quite unlike those of the Han Chinese although proximity, trade and confl ict had led to linguistic and cultural borrowing in both directions over the centuries.” in Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 11

[iii] Nuno Valério e Ana Bela Nunes e Nuno Valério, História da Economia Mundial Contemporânea (Lisboa: Editorial Presença, 2004), 71

[iv] “The Opium War is called by this name because it was the determination of the Qing court to bring to an end the British sale of opium to China that led to hostilities: on both sides, however, it was widely accepted that the issues in contention were far greater than just the trade in a narcotic, however much this was resented by China. China’s territorial integrity and the question of who should exercise control over its foreign trade were at stake.” in Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 11-12

[v] Agência Lusa, “Jaime Gama enaltece ‘boas relações (Maio 5, 2009)’”, Agência Lusa, http://www.lusa.pt/lusaweb/user/showitem?service=310&listid=NewsList310&listpage=1&docid=9633764

[vi] “The Imperial government formally abolished slavery in China in 1906, and the law became effective on Jan. 31, 1910, when all adult slaves were converted into hired labourers and the young were freed upon reaching age 25.” in Encyclopedia Britannica, “Slavery (sociology), Ways of ending slavery”, Britannica Online Encyclopedia, http://www.britannica.com/EBchecked/topic/548305/slavery/24160/Ways-of-ending-slavery.

[vii] Em relação à continuidade e estabilidade da República Popular da China, há um pequeno excerto da autoria dos historiadores Nuno Valério e Ana Bela Nunes que julgo ser útil a ter como referência. Citação: “O papel que a China virá a desempenhar na vida mundial no século XXI depende basicamente do modo como evoluirá a sua situação em relação a três dificuldades importantes que sente a curto prazo: o atraso, o risco de desagregação e a indefinição política. Se tais problemas forem superados, a China será indubitavelmente uma grande potência económica do século XXI. Caso contrário, a China deverá continuar a viver numa posição relativamente secundária.” in Nuno Valério e Ana Bela Nunes e Nuno Valério, História da Economia Mundial Contemporânea (Lisboa: Editorial Presença, 2004), 247

Consultar o Orçamento de Estado para o Ano de 2011

Neste último ano troquei de “jornal diário na Internet”. Passei do Jornal Público para a TSF porque o primeiro tem sido inundado por comentários que distraem-nos completamente da leitura dos nossos artigos (desnecessariamente). Para além disso, parece haver uma tendência para debitar notícias ao segundo em vez de existir uma preocupação em escrever um bom artigo. Parece-me a mim que estes factos só estão a prejudicar a edição online quando comparado com a edição escrita mas enfim cada um escolhe o que lê.

Tudo isto a propósito do Orçamento de Estado que foi disponibilizado em formato PDF no site da TSF. O link para efectuar o download do ficheiro é este: http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1687420

A minha quase aposta no Twitter de que o Orçamento de Estado ia ser entregue num formato alternativo não se confirmou.

“Notícia de última hora! O OE vai ser entregue este ano num dispositivo “Etch A Sketch” http://bit.ly/4jKlXv

Ou seja, twitt não confirmado e debitado ao segundo por mim. lol ;)

Adenda:

– Este artigo foi escrito a título informativo e apenas para facilitar o acesso ao documento por parte dos internautas, nada mais.

– Os documentos com o relatório completo do orçamento e os seus respectivos mapas estão finalmente disponíveis na Internet e na página do Governo.

http://www.portugal.gov.pt/pt/GC18/Governo/Ministerios/MF/ProgramaseDossiers/Pages/20101015_MFAP_Doss_OE2011.aspx

Mil Imagens, Muro de Berlim – 20 Anos Depois

Muro de Berlim em Bruxelas

Fotografia de Luke Bales tirada em Bruxelas a 17 de Agosto de 2005.

Na imagem vemos um pedaço do antigo Muro de Berlim que foi colocado diante do Parlamento Europeu. Uma imagem com um tremendo simbolismo pois a União Europeia e a Alemanha ainda enfrentam o desafio de aproximar e desenvolver social e economicamente os antigos estados federais da ex-RDA aos da sua “congénere alemã”.

Assim, 20 anos depois e com o muro de Berlim já derrubado, o país não esconde a barreira invisível que divide as “duas antigas Alemanhas”.

O Monstro e O Baile de Palavras

Pintura de SuchitraComo já devem ter percebido, não tenho tido tanto tempo como desejaria para escrever no meu blogue e a quem o segue até pode parecer que tenho negligenciado um pouco o Flecha Quebrada.

Bem, posso garantir que não é totalmente verdade porque pela minha cabeça têm passado inúmeros assuntos sobre os quais falar, e escrever sobre eles não seria um problema para mim pois a vontade é muita.

O meu problema é a quase ausência de “disponibilidade mental” ao final do dia, o que não ajuda nada. Enfim, espero que venha a gerir melhor o tempo daqui a umas poucas semanas….

Assim, no tradicional post “solitário” do mês, deixo aqui duas sugestões de leitura à qual eu recomendo alguma assiduidade.

A primeira é a d`O Baile de Palavras da minha amiga Teresa. Aconselho vivamente uma visita ao seu novo blogue porque acho que a opinião pessoal da Teresa desenvolve-se com uma riqueza e perspectiva da realidade encantadoras.

A segunda é a de um verdadeiro Monstro de Duas Cabeças (risos com o nome) da autoria do Paulo e do Gonçalo. Neste blogue vão descobrir e desfrutar de um olhar acutilante e humorístico sobre o mundo da Economia.

Visitem os novos blogues, garanto que vale a pena :)

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pintura de Suchitra Krishnamoorthi

The G-Econ Project de William Nordhaus

Torre da Universidade de Yale“The present study describes a project that has developed a geophysically based data set on economic activity. The project is called the Yale G-Econ project (for Geographically based Economic data).

The G-Econ data set calculates gross value added at a 1-degree longitude by 1-degree latitude resolution at a global scale for all terrestrial cells. These data allow better integration of economic and environmental data to investigate environmental economics, the impact of global warming, and the role of geophysical factors in economic activity.

On of the major results is to show that the true economic deserts of the globe are in Greenland, Antarctica, northern Canada, Alaska, and Siberia.”

Abstract do working paper,
12 Maio de 2006

Descobri este projecto em Março de 2007 e acho que tem todo o interesse para os letrados em ciências económicas e sociais. A visualização deste indicador económico num mapa tridimensional permite uma leitura mais imediata das discrepâncias existentes entre países e, inclusive, as suas próprias regiões.

Através do uso desta metodologia, a questão da quantificação de outros indicadores de desenvolvimento pode ser explorada duma forma muito mais interessante:

Homepage do Projecto na Yale University

Working Papers da equipa de investigação

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A foto é da simbólica Harkness Tower situada na Universidade de Yale

Nota: Aos leitores habituais, peço imensa desculpa pelo facto de nos últimos 4 meses não ter disponibilidade para elaborar comentários mais extensos. Cumprimentos :)