As Primeiras Imagens do Telescópio James Webb

Telescópio James Webb - Julho 2022

Para os fãs de Astronomia chegam na próxima semana as primeiras imagens de alta-resolução do telescópio James Webb. As primeiras imagens de alta-definição do telescópio de infravermelhos estarão disponíveis com as cores perceptíveis ao olho humano (depois de processamento das imagens recolhidas) e, segundo os cientistas da NASA, impressionarão os entusiastas da Astronomia e da tecnologia aerospacial.

Na página oficial do segundo telescópio espacial mais famoso do Mundo – o primeiro é sem dúvida o telescópio Hubble – a NASA anuncia que, à data de hoje, 16 dos 17 instrumentos estão já plenamente funcionais. Os entusiastas menos atentos poderão acompanhar minuciosamente o evoluir da missão na página oficial disponível em https://jwst.nasa.gov/content/webbLaunch/whereIsWebb.html

Quanto à disponibilização das imagens, estas poderão ser visualizadas a partir do dia 12 de Julho de 2022, estando acessíveis no website da NASA de acordo com as instruções publicadas em https://blogs.nasa.gov/webb/2022/07/01/how-to-see-webbs-first-images/

Este evento será um marco científico, tendo em conta o período de tempo que foi investido nesta missão (começou a ser delineada por volta do final dos anos 80 e início dos anos 90). As imagens terão, se tudo correr bem, a maior resolução alguma vez alcançada por um telescópio em órbita, localizado no espaço do segundo ponto de Lagrange (a 1,5 milhões de quilómetros do planeta Terra).

Estaremos assim na presença de uma nova era de descoberta científica, com a utilização em pleno de todas as valências do telescópio James Webb. Este projecto é uma missão de colaboração e cooperação entre as agências da NASA (Estados-Unidos), da ESA (agência europeia) e da CSA (Canadá).

O Telescópio James Webb

Vídeo: James Webb Space Telescope Launch and Deployment

O telescópio James Webb vai elevar a fasquia a todos os níveis. O instrumento vai ser colocado em “órbita” a mais de 1 milhão e meio de quilómetros de distância da Terra, numa órbita especial onde beneficiará de uma “sombra permanente” que permitirá o funcionamento dos seus espelhos reflectores sem influência directa da luminosidade do Sol.

A operação será uma das mais complexas de sempre e permitirá efectuar o uso pleno das capacidades do telescópio. Nestas condições o James Webb poderá detectar e captar “luz” no espectro de onda infravermelho dos pontos mais distantes do Universo e aquando da formação das primeiras estrelas e galáxias. Estes objectos astronómicos são uma “prova-viva” dos primórdios do nosso Universo e aproximam-nos ainda mais dos eventos que se sucederam à singularidade que gerou o nosso Universo.

Projecto LINEAR – Asteróide 1999 AN10 e Asteróide 2004 BL86

A missão LINEAR é um projecto da responsabilidade do Laboratório Lincoln do MIT (Massachusetts Institute of Technology). O projecto, financiado por inteiro pela agência NASA e pela Força Área dos Estados Unidos, tem por objectivo primário aplicar a tecnologia e os conhecimentos adquiridos, durante a monitorização de satélites enviados para órbita do planeta Terra, na monitorização de asteróides com alta probabibilidade de passar junto à órbita da Terra.

A designação LINEAR é o acrónimo para “Lincoln Near-Earth Asteroid Research” que, numa tradução livre, poderá apresentar-se em português como “Centro de Pesquisa para Asteróides com Passagem Próxima à Terra”.

Em Setembro de 2011, o projecto já havia efectuado mais de 30 milhões de observações individuais, tendo detectado mais de 7 milhões de “objectos extraterrestres” em órbita solar. Entre estes 7 milhões de objectos foram encontrados 2423 asteróides com órbita próxima à do nosso planeta. Os investigadores do MIT atribuem a designação de NEO’s (near-Earth objects) aos astereóides com alta probabilidade de passagem junto à Terra.

A probabilidade de que um asteróide de dimensões significativas colida com o planeta Terra é quase certa (99,99%). No entanto, é importante ter em conta o espaço temporal em que a próxima colisão de proporções cataclismicas verificar-se-á. Muito provavelmente não será num futuro muito próximo. Embora haja um asteróide particular que está a criar inquietação na comunidade científica. Não pela sua próxima passagem mas, sim, pela passagem que terá a seguir a esta entre os anos de 2044 e 2046.

O asteróide 1999 AN10 tem uma órbita certa de passagem próxima à terra a 7 de Agosto de 2027. Os cálculos dos cientistas apontam para uma passagem com uma distância à Terra de cerca de 0,0026 Unidades Astronómicas (aproximadamente 390 mil quilómetros). Um estudo da NASA, publicado no ano de 1999 pelo cientista Paul W. Chodas e actualizado hoje dia 25 de Janeiro, indica que a passagem de Agosto de 2027 determinará a órbita da próxima passagem do asteróide 1999 AN10.

Os cálculos científicos, apresentados inicialmente há quase 16 anos atrás, apontam para uma relevância significativa na possibilidade da próxima passagem colocar o asteróide 1999 AN10, na sua segunda passagem, em rota de colisão contra a Terra. Os cientistas Andrea Milani, Steven Chesley, Giovanni Valsecchi e o astrónomo amador Frank Zoltowksi são os responsáveis pelos cálculos iniciais desta segunda trajectória.

Todavia, não há razão para alarmismo. A segunda passagem desta asteróide “ainda” dista cerca de 30 anos e a sua primeira passagem será a oportunidade ideal para avaliar devidamente o seu grau de perigosidade para o planeta Terra. A sua primeira passagem será a Agosto de 2027 pelo que não é necessário, até lá, avaliar o risco deste objecto em concreto. Importa sim, é avaliar a capacidade de resposta que teríamos face a um cenário hipotético de potencial colisão com a Terra ou até mesmo com a Lua.

É curioso que um cenário de colisão com o nosso satélite natural (a Lua) seja raramente abordado. Um indíviduo de senso comum saberá que a Lua é um elemento intrínseco ao nosso ecosistema e ao meio-ambiente. Qualquer cenário cataclismíco que altere ou modifique profundamente essa relação trar-nos-ìa consequências muito significativas enquanto seres-vivos.

Entre o dia 26 e 27 de Janeiro teremos a passagem do asteróide 2004-BL86. O asteróide foi descoberto pelo projecto LINEAR no dia 30 Janeiro de 2004. A passagem que o asteróide efectuará em 2015 não apresenta nenhum nível de perigosidade para o planeta Terra. Esta será mais uma oportunidade para os astrónomos amadores contemplarem, através dos seus telescópios, um fenómeno da nossa cosmologia.

E-ELT – European Extremely Large Telescope

Vídeo: ESOcast 70: Green Light for E-ELT Construction

A ESO anunciou em comunicado, no dia 4 de dezembro de 2014, a aprovação para a construção daquele que será o maior e mais avançado telescópio óptico do Mundo. A designação escolhida para o novo instrumento óptico espacial será E-ELT, a abreviatura para a expressão inglesa European Extremely Large Telescope.

Transliterado para português ficaria algo como o “Enorme(eee!) Telescópio Europeu”. No entanto, a designação inglesa será utilizada em qualquer língua em detrimento das expressões nativas de cada país.

O E-ELT ficará situado no deserto do Atacama, a norte do Chile e no hemisfério Sul. Com uma área de 978 metros quadrados, o novo telescópio será consideravelmente maior que os cinco maiores telescópios do mundo: o Giant Magellan Telescope (GMT) com 655m²; o Thirty Meter Telescope (TMT) com 368m², o Large Binocular Telescope (LBT) com 111m² e o Gran Telescopio Canarias (GTC) com 74m² de área.

(continua em breve)

Eyes On The Sky

Ilha La PalmaA partir de hoje, entra “no activo” um dos maiores telescópios ópticos terrestres no mundo. Durante um período de 12 meses serão realizados diversos testes para assegurar a fiabilidade do GTC (Great Canary Telescope).

O novo telescópio situa-se na Ilha de La Palma (Ilhas Canárias, Espanha), demorou sete anos a ser construído e possuí uma lente principal com 10,4 metros de diâmetro.

A BBC News conta..

——
Imagem de satélite tirada pela NASA à ilha de La Palma