Inteligência Artificial versus Inteligência Artificial

É verdade que neste ano já assistimos, pela primeira vez, a humanos a renderem-se e a serem eliminados por robots não-humanóides (assistidos por IA) em cenário de guerra na Europa. No entanto, há uma guerra invisível bem maior onde a IA boa está já a combater a IA maliciosa.

A guerra invisível acontece neste momento no ciberespaço e no mundo da correcção de falhas de segurança de software/hardware e encriptação de dados. Os serviços de Informação de vários países prevêem que no espaço de meses os sistemas críticos possam vir a ser seriamente afectados por modelos de IA “demasiado” avançados, caso a resposta a estes não esteja à altura.

O auxílio virá também de modelos de IA extremamente avançados – como por exemplo o “Anthropic Claude Mythos” – que poderão minimizar ou neutralizar os efeitos negativos da IA com fins maliciosos.

Os serviços de segurança estavam preocupados com a obsolescência dos sistemas de encriptação actuais face à tecnologia de computação quântica, mas as preocupações imediatas centram-se agora nos modelos de IA complexos com capacidade de penetração em redes, telecomunicações e software, de entre outros.

Não iremos no imediato experienciar o perigo geral de robots, humanóides ou não, com poder de decisão autónoma sobre a vida de civis e de outros activos (como se verificam recorrentemente no cinema). No entanto, experienciaremos certamente o ataque constante e recorrente a infraestruturas tecnológicas críticas que afectam o dia-a-dia das vidas civis e respectivas infra-estruturas, bem como activos de cariz civil e militar.

É a guerra híbrida 2.0 – em que a Inteligência Artificial é utilizada como vector de ataque – que vai dominar os próximos anos e que correntemente já está a ser utilizada. Os perigos da IA maliciosa serão balanceados com o pode da IA boa, um pouco como os hackers Black-hat e White-hat influenciam e influenciaram a guerra no ciberespaço e no sector tecnológico civil e militar.

A Inteligência Artificial requer regulação, mas tal não será suficiente para pararmos o Tsunami que vem aí em termos de computação utilizada para fins militares e geoestratégicos que obedecerá a orientações com as quais estaremos alinhados e com as quais não estaremos alinhados.

 

VICTUS HAZE – Tactically Responsive Space (TacRS)

No dia 19 de Junho de 2026 foi completada em “tempo-recorde” uma missão militar espacial – por parte dos Estados Unidos e em forma de exercício ou ensaio- que prevê o lançamento de um veículo espacial em contexto de emergência espacial envolvendo um cenário de ameaça à infra-estrutura espacial (como satélites, estações espaciais ou veículo espaciais em órbita à terra).

A missão foi executada por o Comando Espacial Norte-Americano (US – Space Command) e é habitualmente designada como capacidades de “Tactically Responsive Space (TacRS)”, tendo durado um total de 37 horas e 36 minutos. Este tempo de resposta está significativamente abaixo das 72 horas de tempo limite que foi definido por os Estados Unidos como forma de dar resposta a uma emergência de complexidade de execução acrescida.

O veículo espacial foi lançado a partir da Nova Zelândia e para o efeito foi necessário que o exercício militar cumprisse os protocolos militares de segurança para obtenção do(s) alvo(s), lançamento do veículo espacial e operação remota desse mesmo veículo espacial com o objectivo de cumprir a missão ou missões designadas.

O objectivo principal é demonstrar a prontidão de todas as equipas envolvidas e dos respectivos equipamentos e infra-estruturas de lançamento e controlo. Com a corrida espacial a ganhar novos contornos – exemplo, estabelecimento de bases na Lua – no futuro, também, estas missões procurarão proteger a infra-estrutura espacial em redor da Lua (satélites que providenciem telecomunicações a infra-estruturas estabelecidas na Lua).

Quanto a Marte, pela sua distância e pela barreira tecnológica que ainda não permite astronautas em solo marciano, não vemos a necessidade de uma missão com um estado de prontidão tão elevado.

GPS – Global Positioning System

O sistema GPS (Global Positioning System ou em português “Sistema de Posicionamento Global) foi desenvolvido inicialmente pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos na década de 70, tendo o seu desenvolvimento sido aperfeiçoado ao longo das décadas subsequentes.

No início, o projecto experimental foi lançado em 1973 com a designação de projecto NAVSTAR GPS, derivando do projecto anterior de uma rede de satélites com a designação de projecto “Transit” destinado ao uso pela Marinha Norte-Americana e pela Força Área Norte-Americana.

O processo de desenvolvimento de geolocalização para fins militares ocorre no período da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, onde a corrida à tecnologia aeroespacial estava no seu auge.

No período compreendido entre 1978 e 1985 deu-se o lançamento de mais de uma dezena de satélites que compreendiam um alcance territorial extensivo e provaram o conceito da “trilateralização” de informação para geolocalização para fins militares.

No entanto, o uso exclusivo militar foi afastado pelo presidente Ronald Reagan aquando do incidente aéreo com o vôo da Korean Air Lines (Flight 007) em que o avião operado pela companhia área foi mortalmente atingido por aviões de combate soviéticos. O incidente ocorreu por força de um erro de navegação e ditou a partir daí que os Estados Unidos disponibilizariam a tecnologia GPS numa versão adaptada ao uso civil (com algumas limitações).

A administração Reagan desclassificou o projecto militar e iniciou o processo de adaptação a utilização por empresas e utilizadores civis, o qual foi concluído na década de 90.

Apesar da democratização do uso de GPS na década de 90. Foi com a administração Clinton que o sistema passou a ser implementado massivamente entre os utilizadores civis. A dificuldade de uso na década de 90 prendia-se com o facto de os utilizadores militares dificultarem a precisão do GPS, aos civis, com uma “discrepância” de 100 metros na acuidade do mesmo. Esta limitação de funcionalidade tinha a designação de “Selective Availability (SA)”.

Em Maio do ano de 2000, o presidente Bill Clinton assinou um decreto presidencial em que a limitação de precisão passaria dos 100 metros para os 10 metros, tornando assim o caminho mais fácil para a implementação no mercado civil.

Foi com esta alteração que se começou a assistir à massificação da tecnologia GPS entre diferentes sectores da sociedade civil. Uma revolução que conduziu à navegação generalizada através dos aparelhos dos automóveis, dos telemóveis, dos veículos de agricultura, da navegação área, de prospecção marítima, de entre muitos outros sectores.

Hoje a tecnologia está amadurecida e foi replicada em outros blocos económicos, como a União Europeia (sistema Galileo), a China (sistema Beidou) e a Rússia (sistema Glonass), de entre outros.

Em 2026, o sistema GPS conta com 21 satélites GPS, estando previstos 24 satélites em 2027.

Filmes – Flecha Quebrada (Broken Arrow, 1996 e 1950)

Este blogue tem o nome de dois famosos filmes de Hollywood de 1996 e 1950, respectivamente. No entanto, o significado da expressão Flecha Quebrada (em inglês designada como Broken Arrow) vai buscar a conotação com as flechas partidas no filme de 1950. Uma flecha partida (ou quebrada) tem por simbolismo retratar a paz, neste caso retratada em um Western quando esta é declarada pelos ameríndios.

Assim, Broken Arrow (1950) é aquele que se aproxima mais do significado atribuído em 2006 a este mesmo simples espaço de escrita.

Quanto ao filme A Flecha Quebrada do ano de 1996, esse retrata um cenário que jamais havia sido delineado pela comunidade dos ameríndios do continente norte-americano: a perda de armamento com capacidade nuclear. O filme é mais conhecido do que o Western pois a máquina de propaganda de Hollywood, em 1996, foi muito mais capaz de publicitar um filme de John Woo que se desenrola a um ritmo frenético na busca de duas ogivas nucleares.

Os protagonistas do filme são, o actor mundialmente conhecido, John Travolta e o actor Christian Slater. A longa-metragem passou vezes sem conta no canal português RTP1 nos inícios da década de 2000’s.

No entanto, nunca me passou pela cabeça que o nome de código de Flecha Quebrada fosse hoje mais associado a uma perda de armamento do que a um símbolo de paz da comunidade nativa da américa do Norte.

É o reflexo dos tempos modernos.

Quanto ao enredo dos dois filmes. O de 1950 circula à volta de uma estória ficcionada na comunidade Apache e norte-americana em que um “scout” norte-americano salva um rapaz da tribo Apache de ferimentos graves resultantes de uma arma de fogo. A comunidade Apache tenta resgatar o rapaz das mãos de Thomas Jefferson Jeffords (“scout”), mas a comunidade percebe ao longo do filme que os objectivos do “scouter” são inofensivos, embora em colisão com as pretensões das chefias militares e governativas dos EUA.

Não tive oportunidade de ver o filme, mas o Western de 1950 é muito famoso entre a comunidade cinéfila e entrou em 2008 directamente para o top 10 do American Film Institute (AFI) na sua respectiva categoria.

O enredo do segundo filme, o de 1996, já é-me mais fácil de explicar pois vi uma meia-dúzia de vezes o filme em questão. Todavia, não vou alargar-me, pois este é provavelmente mais fácil de encontrar nas plataformas de Streaming, como a Netflix, a HBO ou a Apple TV, por exemplo.

É um filme de acção de John Woo, portanto tem o estilo característico dos filmes de acção do realizador nos anos 90. Vale a pena a sua visualização para um momento íntimo entre as suas pipocas e a sua TV.

 

Desafios do Século XXI

Os três desafios do século XXI são a defesa do Meio-Ambiente, a defesa da integridade territorial dos países e o “domínio” da Tecnologia na aplicação em cenários reais (Inteligência Artificial (IA) na Saúde, na Defesa, na Astronomia, na Climatologia, etc.).

Qual é a sua opinião sobre os desafios que ainda nos esperam no corrente século?