Jogos Olímpicos – A Projecção Chinesa

No Verão de 2008, o mundo focou a sua atenção num país tão distante como presente no seu dia-a-dia. A República Popular da China foi pela primeira vez na sua história moderna o país anfitrião dos Jogos Olímpicos.

O evento em si tornara-se um sério desafio para as autoridades chinesas pois representaria muito mais do que um evento desportivo à escala mundial. Seria a oportunidade única para a China moderna assumir-se definitiva e internacionalmente como potência mundial. A projecção do país com mil e trezentos milhões de habitantes e uma notável capacidade organizativa teria que correr na perfeição.

No entanto, a realização do evento foi ensombrada pela violenta resposta do exército chinês aos protestos independentistas ocorridos no Tibete em Março de 2008. A questão dos direitos humanos foi mais uma vez um problema e este episódio relembrou o massacre da Praça de Tiananmen em Junho de 1989.

Nesse dia, o mundo assistiu atento às imagens da violentíssima repressão chinesa perante um protesto estudantil pacífico. A Amnistia Internacional estima que centenas de civis tenham sido executadas pelo exército. Na sua maioria estudantes que contestavam o regime comunista e exigiam uma reforma democrática no país.

A imagem de um tanque militar diante de um civil chinês é a mais marcante representação desta manifestação. Teve o simbolismo de um regime gigante e poderoso que estaria disposto a esmagar a mais tímida demonstração de descontentamento. A reprovação da comunidade internacional aos acontecimentos de 2008 propagou-se por todo o mundo e a tocha olímpica, símbolo de paz e união entre povos, foi apagada pela primeira vez na história moderna dos jogos durante o seu percurso.

A cerimónia de inauguração do estádio olímpico, conhecido como “O Ninho do Pássaro”[i], satisfez o Comité Olímpico e a coreografia perfeita de milhares de figurantes[ii] deslumbrou mais de um milhar de milhões de pessoas que assistiam em directo ao evento. No momento da cerimónia estiveram presentes mais de oitenta líderes mundiais e altos dignitários que talvez, com a sua presença, quisessem comprovar “o milagre chinês”.

Todavia, nos dias seguintes ao espectáculo olímpico a demonstração perdera alguma importância e tornara-se um embaraço para o regime comunista. A imprensa estrangeira descobrira que o momento da actuação ao vivo e a solo de uma jovem chinesa não tinha passado de uma simples imitação de uma outra jovem. A verdadeira protagonista tinha sido substituída por razões estéticas e por não transmitir na perfeição a imagem da China moderna. A opinião pública internacional e os líderes certamente não terão ficado indiferentes a esta tentativa de ludibriar o evento.

Nos dezasseis dias da competição, o desporto olímpico testemunharia vários momentos de emoção que apagariam um pouco o fantasma dos níveis de poluição verificados em Pequim. O nadador olímpico Michael Phelps conseguiu atingir pelos Estados Unidos a mítica marca das oito medalhas de ouro, numa só edição, e Usain Bolt da Jamaica deslumbrou o mundo quando bateu o recorde mundial de atletismo dos cem metros livres.

A China também conseguira um feito histórico, acumulara o maior número de medalhas de ouro dos jogos e ultrapassara assim os seus maiores rivais, os norte-americanos. A disputa de medalhas recordara os jogos realizados durante o período da Guerra Fria onde a União Soviética e os E.U.A. defrontavam-se no único campo de batalha onde o confronto directo era possível.

Todavia, neste ano a demonstração não carregaria o peso ideológico ou político de duas nações diferentes. Em 2008, mais do que tudo, os números estavam em jogo e a sua importância era maior quando, as nações de hoje, debatem-se para afirmar-se economicamente num mundo cada vez mais globalizado e competitivo. As duas potências mundiais não confrontaram desta vez ideais políticos mas sim números e números a China tem muito para dar. Comecemos pela sua história.

[i] Website oficial do estádio olímpico de Pequim: http://en.beijing2008.cn/venues/nst/

[ii] Sugestão de lazer: algumas das imagens da cerimónia encontra-se disponíveis no website dos Jogos Olímpicos de 2008 em http://en.beijing2008.cn/ceremonies

Filme – The First Grader | Aprender a Ler em África

Fotografia de Kerry Brown (2009)

Uma história verídica de um aldeão queniano de 84 anos (veterano da guerra de independência do Quénia) que decide aprender a ler e acaba por lutar pelo direito de frequentar pela 1ª vez uma escola de ensino primário. O seu gesto reveste-se de tremendo simbolismo pelo facto de Maruge, este nobre idoso, ter lutado pela libertação do seu próprio país e pelo acesso aos direitos mais básicos por parte de toda a população.

No entanto, dada a idade avançada do antigo combatente, os preconceitos da sociedade queniana apresentar-se-ão como a maior barreira de acesso à educação escolar que encaram este direito como um benefício exclusivo dos mais novos. Para os que acreditam nos valores da educação, o combatente Maruge apenas quer aprender a ler…

Realizado por Justin Chadwick e escrito por Ann Peacock.

Trailer:

Vídeo: The First Grader Movie Official Trailer 2011

Censos 2011 – Decreto-Lei n.º 226/2009

Publicado em Diário da República

“O recenseamento geral da população realiza-se em Portugal, de forma harmonizada a nível internacional, desde 1864, assumindo periodicidade decenal a partir de 1890. Desde 1970, os recenseamentos gerais da população e da habitação executam-se em simultâneo, passando a operação estatística a designar -se por Censos, com identificação do ano da sua realização.

A exaustividade da recolha e do tratamento dos dados dos Censos tornam estas operações uma fonte imprescindível e rigorosa para o conhecimento da realidade social e económica do País, a nível nacional, regional e local.

A realização dos Censos da população e da habitação é, desde há várias décadas, enquadrada por recomendações específicas tanto a nível internacional como da União Europeia. Para a ronda censitária de 2011 será estabelecida, pela primeira vez, na legislação comunitária um conjunto de regras de carácter obrigatório relativamente à desagregação geográfico-administrativa mínima para cada variável e aos indicadores de qualidade que cada país deverá fornecer ao EUROSTAT.

Os Censos 2011 vão permitir a constituição de uma base de referência, indispensável para a extracção de amostras de suporte aos inquéritos realizados junto das famílias, no quadro do respectivo sistema de informação estatística.

Pretende-se que os Censos 2011 sejam os últimos a realizar em Portugal com recurso ao modelo censitário tradicional. Para esse efeito, os dados recolhidos ao longo da sua execução constituirão a base que permitirá, futuramente, efectuar a transição para um novo modelo censitário, menos pesado, dispendioso e capaz de disponibilizar informação com periodicidade mais curta do que a decenal.

À semelhança das anteriores operações censitárias, os Censos 2011 irão mobilizar um volume importante de recursos humanos e financeiros que importa utilizar de forma racional. O esforço de racionalização e de boa gestão dos recursos públicos estará associado à introdução de novas tecnologias de informação e comunicação a nível dos suportes de recolha de dados, do modelo de organização e
do tratamento da informação.

O envolvimento e cooperação das autarquias locais é factor imprescindível para o sucesso das operações censitárias, dada a sua proximidade às populações e a disponibilidade de meios e infra-estruturas de apoio necessários a nível local.

Os serviços das Administrações Central, Regional e Local deverão proporcionar o acesso a informação administrativa de que disponham, no respeito pelas normas legais em matéria de confidencialidade e de protecção dos dados individuais, a qual poderá substituir com vantagem a recolha de algumas variáveis censitárias.

O presente decreto-lei tem por objectivo enquadrar normativamente os Censos 2011, definir as responsabilidades pela sua execução e estabelecer dispositivos específicos para assegurar os recursos financeiros e humanos necessários para a sua realização dentro dos calendários adequados. São estabelecidas, ainda, as condições para o desenvolvimento dos trabalhos e estudos indispensáveis, nomeadamente no que se refere à utilização da informação censitária para análise comparada com a administrativa, na perspectiva da transição para novo modelo censitário.

As operações censitárias revestem-se de particular importância, tornando-se, por isso, necessário assegurar os meios indispensáveis à realização de um trabalho tecnicamente idóneo e operacionalmente eficaz.

Assim, pela idoneidade técnica das operações respondem, em primeira linha, o Conselho Superior de Estatística e o Instituto Nacional de Estatística, I. P., sendo a eficácia operacional da responsabilidade deste instituto público, dos órgãos autárquicos, das câmaras municipais e das juntas de freguesia.

A execução de uma operação estatística da dimensão dos Censos exige uma programação exaustiva e detalhada das várias fases que constituem o seu processo de implementação, desde a concepção à avaliação final, acompanhada da definição rigorosa das despesas que lhe estão associadas.

Os Censos 2011 exigem, ainda, o recrutamento temporário e atempado de milhares de pessoas, em especial de recenseadores, bem como a imprescindível colaboração temporária de funcionários da administração local para a coordenação e controlo dos trabalhos de recolha dos dados.

Justifica-se, assim, o estabelecimento de mecanismos de carácter excepcional que assegurem a indispensável flexibilidade na contratação das pessoas necessárias à execução dos trabalhos no terreno.”

Leitura integral no Diário da República Electrónico: http://dre.pt/pdf1sdip/2009/09/17800/0626506270.pdf Decreto-Lei n.º 226/2009 de 14 de Setembro

Mil Imagens, Muro de Berlim – 20 Anos Depois

Muro de Berlim em Bruxelas

Fotografia de Luke Bales tirada em Bruxelas a 17 de Agosto de 2005.

Na imagem vemos um pedaço do antigo Muro de Berlim que foi colocado diante do Parlamento Europeu. Uma imagem com um tremendo simbolismo pois a União Europeia e a Alemanha ainda enfrentam o desafio de aproximar e desenvolver social e economicamente os antigos estados federais da ex-RDA aos da sua “congénere alemã”.

Assim, 20 anos depois e com o muro de Berlim já derrubado, o país não esconde a barreira invisível que divide as “duas antigas Alemanhas”.

Um Fenómeno Chamado Twitter

Logotipo do TwitterBarack Borat ou Homer Simpson? Votaria nestas personagens? Eu sem dúvida que sim, nas duas ao mesmo tempo! :)

Ando há poucos meses nas andanças do Twitter e, para além de ter descoberto o seu potencial, descobri utilizadores com uma queda especial para a escrita. Alguns no campo do humor, outros no das ideias bestiais e curtas.

É engraçado ao que um limite de 140 caracteres nos obriga. Há que pensar em encurtar a mensagem e dar o máximo de significado a cada palavra escrita.

Eu estou a gostar particularmente do desafio e do conceito desta ideia tão inovadora e com tanto sucesso. É simplesmente genial. No entanto, custa-me ainda compreender aquelas mensagens de personagens que escrevem coisas do género: “- Agora, vou tomar banho; – Agora, estou a comer; – Estou a comprar fruta; etc…”. Também, não entendo o pessoal que passa a vida a utilizá-lo como chat e depois queixa-se dos momentos em que o site está sobrecarregado com tráfego de dados. Porque não usar um software de Internet Messaging como o Messenger? Por exemplo.

O papel que o software do “passarinho azul” teve nas eleições iranianas de 2009 é, também, um fenómeno interessantíssimo de se analisar. A ferramenta deu poder, talvez pela primeira vez na história, a um número elevadíssimo de pessoas que quase em directo puderam denunciar a repressão de um regime totalitário. Contudo, neste momento particular, considero que o Youtube foi mais importante porque do seu lado teve o poder da imagem. Mas claro, nem todos nós temos uma câmara de vídeo sempre à mão e, como diz o velho ditado, a caneta é a mais forte quando a usamos como uma arma (neste caso, uma “caneta digital”).

Bem, no início, o que eu queria mesmo neste artigo era falar sobre os meus dois personagens favoritos na esfera do “pássaro azul”. Mas, como não tenho um limite “x” de palavras, acabei por “esticar-me” além das 140 letrinhas. O conceito do Twitter resolveria este pequeno problema! ;)

Quem quiser pode seguir-me em http://www.twitter.com/flechaquebrada

Cumprimentos! :)

Uma Prenda Especial para o Dia das Bruxas

Halloween - Loja
Prendinhas

Uma cadeia francesa de produtos de novas tecnologias lançou, há poucas horas, uma promoção especial do Dia das Bruxas que captou o meu particular interesse.  Em regra, aos olhos dos comuns dos mortais, as promoções da loja costumam valer a pena. No entanto, desta vez o preço não é o factor de interesse. Observem o meu “screenshot”…

Quem é que raio vai comprar uma moto-serra no Halloween?! O Freddy Krueger?

Esta é de morte! A piada, claro… e o marketing. :)

As Eleições Europeias e a Perda do Meu Direito de Voto

Assembleia da RepúblicaComo já havia dito, não tenho muito tempo para dedicar-me ao blogue e partilhar umas quantas ideias. No entanto, esta não pode esperar porque quero que testemunhem com antecedência o episódio que se está a passar.

Estamos em altura de eleições para o Parlamento Europeu e eu, como muitos milhares de portugueses, vou deslocar-me de férias durante este fim-de-semana para fora da minha cidade, a lindíssima cidade de Lisboa. A altura destas merecidas férias coincide exactamente com o dia das eleições europeias (7 de Junho) e a minha intenção, como bom cidadão português, é a de participar voluntária e genuinamente em todas as eleições realizadas em Portugal.

Agora, o que eu fiz hoje pode surpreender a alguns (a outros não, com certeza) mas decidi ligar para a Comissão Nacional de Eleições para esclarecer uma dúvida:

– Posso votar fora da minha área de residência durante as minhas férias? – A resposta é não.

Não sei se são necessários mais de 45 dias, contudo não me importaria de notificar a CNE da minha deslocação se soubesse antecipadamente desta. Partindo do princípio que esta notificação resolveria o problema.

A minha especialidade não é a área de Direito mas há um artigo que poderá ser a razão deste impedimento. Corrijam-me se estiver equivocado.

Artigo 9.º – Local de inscrição no recenseamento

1 – A circunscrição eleitoral de eleitores detentores de cartão de cidadão é a correspondente à morada a que se refere a alínea b) do n.º 1 do artigo 8.º da Lei n.º 7/2007, de 5 de Fevereiro.

2 – Os eleitores inscritos no recenseamento eleitoral nos locais de funcionamento de entidade recenseadora correspondente à morada indicada no bilhete de identidade mantêm a sua inscrição na mesma circunscrição eleitoral, salvo se, tendo obtido cartão de cidadão, deste constar morada diferente.

(…)

Regime jurídico do recenseamento eleitoral
Lei 13/99, 22 Março

Estou desiludido. Pretendo participar no acto eleitoral e quero que o sistema preveja estas situações excepcionais. Não posso e o sistema não o permite nestas condições.

A pessoa que me atendeu não poderia ouvir o meu aceso protesto pois não tem responsabilidade nenhuma e, para além disso, foi prestável e simpática no esclarecimento. Utilizo então as novas tecnologias e exerço o “meu pequeno voto de protesto” aqui. Note-se que o poderia exercer em qualquer parte do país. Até no meu destino de férias.

Qual é a legitimidade dos partidos para apelar ao voto? Como podem evitar a abstenção em época de férias? Como podem culpar os eleitores de ausência de dever cívico?

Artigo 3.º – Oficiosidade e obrigatoriedade

1 – Todos os eleitores têm o direito a estar inscritos e o dever de verificar a sua inscrição no recenseamento e, em caso de erro ou omissão, requerer a respectiva rectificação.

2 – Todos os cidadãos nacionais, residentes no território nacional, maiores de 17 anos, são oficiosa e automaticamente inscritos na base de dados do recenseamento eleitoral, adiante designada abreviadamente por BDRE, devendo a informação para tal necessária ser obtida com base na plataforma de serviços comuns do cartão de cidadão.

Regime jurídico do recenseamento eleitoral
Lei 13/99, 22 Março

A Base de Dados do Recenseamento Eleitoral estará certamente disponível em formato electrónico. Penso que não será difícil aceder aos dados através da Internet. Não é por impossibilidade tecnológica que não há comunicação entre a “direcção central” e os locais de voto. Agora, compreendo que a legislação nesta matéria possa ser algo complexa, por exemplo, para impedir a dupla votação ou assegurar a segurança do sistema informático. No entanto, isto não é impeditivo de que se avance neste sentido.

Julgo que os partidos e os deputados têm a noção deste sério problema que se coloca. Se não a tiverem, olhem para os resultados, aumentem o volume e oiçam os jornalistas observar mais uma vez: “o número elevado da abstenção poderá estar relacionado com as férias prolongadas dos portugueses…”.  Se há deputados que são indiferentes a este número, façam o favor de estarem calados. São maus deputados e não têm legitimidade nenhuma para apelar ao voto.

Eu sou bom cidadão, mas no domingo, lamentavelmente, não poderei exercer o meu direito de voto.

O número de telefone da CNE é o 213 923 800.

Médicos Sem Fronteiras

Cirurgia na JordâniaSão quase duas e meia da manhã e após uma longa maratona de trabalho encontro nas notícias algo que faz desaparecer todo o meu cansaço.

A correspondente da BBC no Médio Oriente, Natalia Antelava, conta-nos como os médicos iraquianos andam a salvar vidas longe do seu país de origem. Na Jordânia, a repórter acompanhou uma equipa de cirurgiões que alterou a vida do pequeno Hussein e de tantas outras crianças afectadas pela guerra no Iraque .

The boy looked like an old man. His lips moved slowly, trying to stretch against his inflexible, badly scarred skin, and bandages covered his eyes.

But the voice that came out of his disfigured face was loud and cheerful and it filled the hospital room.

“I want to go back to Iraq, I miss my dad,” Hussein said.

reportagem BBC News