Nvidia N1X

O Nvidia N1X é um novo sistema integrado contido num chip (“system-on-a-chip”, SoC) desenvolvido em parceria com a Mediatek para a Nvidia e que contém um processador ARM, GPU e memória RAM unificada até 128GB. Tudo isto com suporte para o Windows 11 na versão “Windows on ARM”.

O processador ARM com instruções “Armv9.2” neste sistema vai apresentar duas configurações: uma de alto desempenho com 20 núcleos (10 de performance “Cortex-X925”, 10 de eficiência “Cortex-A725”) e a designação de “N1X 675”; e, outra, de desempenho intermédio com dezoito núcleos (9 de performance, 9 de eficiência) e a designação de “N1X 650”.

As diferenças entre as duas versões estendem-se também à parte gráfica que inclui uma placa de processamento gráfico (iGPU) com arquitectura Blackwell equivalente às placas-gráficas da NVIDIA na versão Geforce RTX 5070, mas que contará com 6144 núcleos CUDA na versão mais poderosa e 5120 núcleos CUDA na versão intermédia. Os “núcleos CUDA” são conhecidos em Inglês como “CUDA cores”.

Outra diferença, é no limite da capacidade de memória unificada (que é dividida entre o processador e a GPU integrada): a versão mais dispendiosa tem uma configuração de memória até 128GB de RAM LPDDR5X e a mais “acessível” uma configuração de até 64GB de RAM (também no formato LPDDR5X).

O SoC Nvidia N1X é apontado como o equivalente à plataforma “GB10 Grace Blackwell” que é implementada nas estações de trabalho Nvidia’s DGX Spark AI. Claro que este SoC está segmentado para o mercado de consumo e por isso tem menos capacidades que as DGX Spark AI.

O Nvidia N1X, em termos de armazenamento, possui a capacidade para gerir em simultâneo 3 SSD’s no formato NVMe, sendo que os SSD deverão ter uma capacidade de velocidade PCIe no formato 5.0.

O N1X é assim, um concorrente de peso às estações de trabalho que fazem uso intensivo das funcionalidades gráficas integradas no SoC, nomeadamente os Apple Silicon e AMD Ryzen Halo. O preço previsto está compreendido entre os 3000 a 4500 euros nas versões N1X.

Prevê-se também que, aquando do anúncio deste chip na Computex, seja anunciado o SoC “Nvidia N1” focado no mercado dos computadores portáteis e com um preço de entrada mais acessível ao público em geral.

A Intel, a AMD e a Apple, vêem assim a entrada em força de um concorrente de peso no mercado dos microprocessadores de consumo, produtividade e AI local. A Nvidia, com as suas placas-gráficas, deu provas de que consegue estabelecer-se no mercado empresarial e doméstico com maturidade suficiente para ganhar uma quota de mercado substancial.

Para além disso, junto dos consumidores tem uma óptima reputação que aponta para a compatibilidade e fiabilidade dos produtos da Nvidia em ferramentas de produtividade e criatividade, como a Adobe Suite ou o Microsoft 365.

Em suma, a Computex 2026 vai trazer novidades cruciais no médio-prazo para o segmento da AI e do mercado de consumo doméstico e empresarial. Será o derradeiro momento das grandes marcas estabelecerem as regras do jogo na área da tecnologia informática.

Filmes – Flecha Quebrada (Broken Arrow, 1996 e 1950)

Este blogue tem o nome de dois famosos filmes de Hollywood de 1996 e 1950, respectivamente. No entanto, o significado da expressão Flecha Quebrada (em inglês designada como Broken Arrow) vai buscar a conotação com as flechas partidas no filme de 1950. Uma flecha partida (ou quebrada) tem por simbolismo retratar a paz, neste caso retratada em um Western quando esta é declarada pelos ameríndios.

Assim, Broken Arrow (1950) é aquele que se aproxima mais do significado atribuído em 2006 a este mesmo simples espaço de escrita.

Quanto ao filme A Flecha Quebrada do ano de 1996, esse retrata um cenário que jamais havia sido delineado pela comunidade dos ameríndios do continente norte-americano: a perda de armamento com capacidade nuclear. O filme é mais conhecido do que o Western pois a máquina de propaganda de Hollywood, em 1996, foi muito mais capaz de publicitar um filme de John Woo que se desenrola a um ritmo frenético na busca de duas ogivas nucleares.

Os protagonistas do filme são, o actor mundialmente conhecido, John Travolta e o actor Christian Slater. A longa-metragem passou vezes sem conta no canal português RTP1 nos inícios da década de 2000’s.

No entanto, nunca me passou pela cabeça que o nome de código de Flecha Quebrada fosse hoje mais associado a uma perda de armamento do que a um símbolo de paz da comunidade nativa da américa do Norte.

É o reflexo dos tempos modernos.

Quanto ao enredo dos dois filmes. O de 1950 circula à volta de uma estória ficcionada na comunidade Apache e norte-americana em que um “scout” norte-americano salva um rapaz da tribo Apache de ferimentos graves resultantes de uma arma de fogo. A comunidade Apache tenta resgatar o rapaz das mãos de Thomas Jefferson Jeffords (“scout”), mas a comunidade percebe ao longo do filme que os objectivos do “scouter” são inofensivos, embora em colisão com as pretensões das chefias militares e governativas dos EUA.

Não tive oportunidade de ver o filme, mas o Western de 1950 é muito famoso entre a comunidade cinéfila e entrou em 2008 directamente para o top 10 do American Film Institute (AFI) na sua respectiva categoria.

O enredo do segundo filme, o de 1996, já é-me mais fácil de explicar pois vi uma meia-dúzia de vezes o filme em questão. Todavia, não vou alargar-me, pois este é provavelmente mais fácil de encontrar nas plataformas de Streaming, como a Netflix, a HBO ou a Apple TV, por exemplo.

É um filme de acção de John Woo, portanto tem o estilo característico dos filmes de acção do realizador nos anos 90. Vale a pena a sua visualização para um momento íntimo entre as suas pipocas e a sua TV.

 

PS3 – Blood Stone, James Bond 007

Estamos perante o iminente lançamento de 007 First Light para as consolas PS5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch 2 e computadores com sistema operativo Windows (PC).

Este é o jogo sucesor ao 007 Legends lançado há quase 14 anos no longíquo ano de 2012. Note-se que o jogo foi lançado para as consolas PS3, Xbox, Wii U e, claro, numa versão Windows (computador – PC). No entanto, ao contrário das expectativas do 007 First Light, o “007 Legends” foi um falhanço, tendo a crítica e os jogadores recebido o jogo com muito mau feedback.

Dois anos antes, no ano de 2010 surgiu o James Bond 007: Blood Stone que teve uma história bem diferente e foi acolhido pela crítica com análises e feedback positivo. O jogo transporta-nos para uma história original, à semelhança de First Light, e conta com a prestação de Daniel Craig e da Dame Judi Dench nos papéis de James Bond e M.

O jogo começa com um confronto na cidade de Atenas e uma perseguição de barco que exploram os limites da Playstation 3. Os gráficos são impecáveis para a versão PS3 e, por ser a consola que posssuo, esta será aquela de que falarei.

A jogabilidade é fácil – com um vector de aprendizagem simplificado – e integra-se facilmente com o Dualshock 3. A estória desenrola-se a um passo normal, à semelhança de um qualquer filme de 007 de Daniel Craig.

O jogo permite-nos descobrir o universo Bond com relativa facilidade e satisfação, mas há um pormenor. O jogo é agora retro-gaming e, dado que estou a fazer uma análise rápida do jogo, devo dizer que a cópia que tenho em mãos tem um erro de leitura do disco e, sim, creio que existe e que fiz o download do update na rede PSN aquando da instalação do Blu-ray (faço sempre para que não haja bugs ou erros).

É verdade, vou ter de adquirir em breve uma segunda cópia porque segundo tudo o que li, o jogo é hipersensível aos erros de leitura do Blu-ray. Vou cruzar os dedos para que não tenha erro no mesmo sítio do disco óptico e para que estes sejam alternados

Não creio que seja da inteira responsabilidade dos estúdios de jogos Activision, a prensagem dos Blu-ray, mas as “cut-scene” podiam ser mais tolerantes aos riscos no disco óptico e fazer com que o laser fizesse um skip em vez de acusar um erro de onde se passa rapidamente para um bloqueio inultrapassável.

Well… não creio que possa fazer uma avaliação completa do enredo do jogo, mas até à parte que joguei, usufrui de uma experiência de jogo agradável. Vou ter de arranjar uma segunda cópia de Blu-ray numa loja de jogos PS3 em segunda-mão.

Quando tiver “mission accomplished” nesta saga do erro de leitura óptica, terminarei aqui a minha review do jogo da PS3. Mais, com o passar do tempo, “perderei” aqui alguns minutos a partilhar a minha experiência com os jogos PS3 que tenho em segunda-mão e que foram adquiridos maioritariamente na CeX (loja que recomendo para aquisição de jogos em segunda-mão).

Apple Mac Mini M5

Estamos em 16 de Maio de 2026 e é aguardada com muita expectativa o lançamento dos novos processadores da Apple – M5, M5 Pro e M5 Max – na linha desktop Mac, designadamente o Mac Mini, o iMac e o Mac Studio.

O design dos três formatos desktop activos não sofrerá grandes alterações, dadas as características térmicas dos novos processadores de arquitectura ARM (Apple Silicon) que não introduz alterações excepcionais no sistema de arrefecimento dos novos equipamentos.

As limitações prendem-se com o fenómeno de aumento exponencial do preço das memórias RAM e do armazenamento SSD que ditará alguns compromissos na disponibilização de modelos com elevada RAM e espaço de armazenamento. Isto estará reflectido nas novas margens de lucro da Apple para o mercado de consumo.

O Mac Mini é um caso particular, pois tem uma elevada procura para modelos “menos complexos” de Inteligência Artificial, como por exemplo a ferramenta Claude. O Mac Studio é também uma excelente escolha para modelos de IA mais avançados, dado que utilizará mais memória com os processadores M5 Max e um eventual “M4 Ultra” (?).

No entanto, há quem aponte que o fenómeno do Macbook Neo pode ser replicado no modelo Mac Mini para baixar ou manter o preço de entrada nos 729 EUR. Recorde-se que a gama Neo utiliza menos memória (8GB RAM) e um processador de um smartphone para correr o sistema operativo MacOS.

A minha expectativa é que não haja um aumento significativo do preço do Mac Mini (que seja de aproximadamente de 100 euros) e que o armazenamento por defeito comece nos 512GB de espaço. Esta será a versão próxima da fasquia dos 1000 euros (por excesso desta vez).

Que esta versão de entrada do Mac Mini – na fasquia dos 1000 euros – não seja uma versão “Neo-nizada” com 8GB de RAM e que inclua um botão de On/off num local mais acessível.

Quanto ao Mac Studio e aos iMac, no primeiro veremos um incremento das características essenciais (RAM e Armazenamento) e nos segundos veremos uma nova gama alargada de cores, certamente.

Aliás, o iMac pode ter, sim, uma versão Neo destinada ao mercado de entrada (com um preço inferior ao dos iMac com M5). No Studio, não sei se iremos assistir às versões com 512GB de RAM, mas ele torna-se em definitivo o equipamento mais poderoso de toda a gama Mac (Rest In Peace Mac Pro) com expansibilidade através das ligações externas Thunderbolt.

Tudo estará certamente esclarecido na WWDC 2026 e a data de lançamento será anunciada para este trimestre (2.º Trimestre) ou um dos dois posteriores (3.º Trimestre ou 4.º Trimestre).

Googlebook

A Google anunciou hoje uma nova gama de computadores portáteis com a designação de Googlebook.  Os novos portáteis serão concebidos com especial enfoque na inteligência artificial, nomeadamente a integração com a Gemini Intelligence da Google.

Estes portáteis serão os naturais substitutos dos Chromebook, apresentados pela primeira vez há mais de 15 anos atrás e que corriam o sistema operativo ChromeOS.

Os novos dispositivos resultarão de uma parceria estratégica com os principais fabricantes de PC, nomeadamente a Acer, ASUS, Dell, HP e Lenovo. O sistema operativo será o resultado da integração entre o universo Android (com as aplicações da Google Play Store) e o universo do ChromeOS.

Por curiosidade, os Googlebook terão uma barrinha luminosa que indicará o estado de utilização da Inteligência Artificial no dispositivo. Os materiais utilizados nos novos portáteis terão acabamentos que a Google refere como “premium” e de alta qualidade.

Poderá saber tudo em: https://blog.google/products-and-platforms/platforms/android/meet-googlebook/

 

Intel Z-Angle Memory (ZAM)

Na Computex 2026 a Intel irá apresentar a mais recente tecnologia de RAM para os seus novos servidores e processadores. A Intel Z-Angle Memory (ZAM) é a próxima geração de memória que utiliza uma arquitectura de empilhamento vertical mais densa com interconexões na diagonal (ao longo da memória).

O desenvolvimento da nova tecnologia RAM resulta de uma estreita colaboração com a SAIMEMORY do grupo Softbank e propõe-se a competir directamente com a memória RAM de tecnologia HBM4.

A largura de banda da ZAM é da ordem de 5.3 TB por segundo, mais do dobro do máximo do alcançado por a tecnologia HBM4. Para além disso, a capacidade por módulo é cerca de 2 a 3 vezes mais do que a equivalente no formato HBM.

O notável é que o custo de produção por módulo é cerca de 60% mais barato que os módulos HBM e alcança uma eficiência energética superior a 50% na redução do consumo eléctrico.

No entanto, não é expectável que encontremos estes módulos no mercado de consumo, pois estão projectados para servir os mercados de centros de dados (datacenter), centros de Inteligência Artificial e supercomputadores.

A tecnologia pode vir a ter um impacto indirecto no mercado de consumo, com a redução do custo face à HBM4. O mercado do segmento de RAM dos servidores ficará menos atractivo do que o que está na presente data.

China – História Contemporânea

… O regime republicano começa assim com o fim de mais de dois milénios de governação imperial. (in https://www.flechaquebrada.org/2014/05/china-historia-imperial.html)

História Contemporânea

No entanto, a república ainda não estava preparada para viver em democracia. O ano de 1916 foi prova disso mesmo quando o presidente Yuan Shikai tentou autoproclamar-se Imperador da China.[i] Os anos seguintes assistiram novamente a um período conturbado da história chinesa. Entre 1917 a 1927, o poder central foi praticamente decepado quando várias regiões chinesas passaram a ser dominadas por senhores da guerra. À imagem da China pré-imperial, o poder político encontrava-se novamente fragmentado por todo o território. Esta fase da história chinesa ficou conhecida como “A Era dos Senhores da Guerra” e teve um efeito devastador na população, maioritariamente camponesa e vulnerável aos conflitos internos. A guerra civil sujeitou a população à fome, a doenças e à pobreza generalizada.

Os intelectuais estavam conscientes do drama que o país enfrentava e a sua grande maioria sentia-se novamente humilhada pela degradação da nação chinesa. Os grandes movimentos nacionalistas republicanos começaram a ganhar expressão. De entre eles, houve dois que começaram a destacar-se e a ganhar importância entre a sociedade chinesa – o Partido Nacionalista (Kuomintang) e o Partido Comunista Chinês (PCC). Na sua fase inicial, ambos os partidos foram apoiados pela União Soviética de Estaline. A intenção estratégica do líder soviético seria assegurar que a revolução nacionalista chinesa efectivamente aconteceria. Para que tal acontecesse, seria necessário assegurar a sobrevivência do PCC e apoiar inicialmente o Kuomitang com mais popularidade na altura. Entre 1923-1927, os dois partidos viveram num clima de cooperação e deram origem à Primeira Frente Unida sob a orientação do Komintern Soviético.[ii] Consta que inclusive existiam membros que pertenciam a ambos os partidos.[iii]

Em 1927, sob a liderança de Chiang Kai-shek o Kuomitang consegue estabelecer um governo central e, com o apoio do Exército Revolucionário e dos comunistas, reunificar a China. No entanto, o líder nacionalista entrou em ruptura com o PCC imediatamente a seguir à subida ao poder do Kuomitang. Na sequência daquela que é considerada uma traição histórica dos nacionalistas, os membros do PCC passaram a ser perseguidos e a sua grande maioria é executada ou aprisionada pelos membros do Kuomitang. Os comunistas passaram então a adoptar uma estratégia de guerrilha face ao poder político.

Em 1934, os nacionalistas quase conseguiram o objectivo de aniquilar a resistência comunista. A facção militar do PCC conseguiu evitar a intenção do governo central e iniciou a mais longa fuga terrestre da história contemporânea. Os comunistas caminharam durante mais de doze mil quilómetros ao longo do território chinês e durante quase dois anos.[iv] A retirada, épica para os chineses, ficou celebremente conhecida como “A Longa Marcha”. Mao Zedong começou a ganhar importância e a destacar-se no partido durante a retirada comunista. Nas montanhas da província chinesa de Shaanxi[v], o futuro líder chinês começou a delinear os ideais de uma nova república popular. A nova concepção ideológica tinha como ponto de partida uma mistura de filosofia e dogma político. O Maoísmo[vi], como ficou conhecido, teve alguma influência nas ideias de Estaline mas possuía a diferença de assentar no romancismo que a tradição revolucionária havia alimentando, no simbolismo da resistência comunista, na sua grande caminhada e na prometida redistribuição das terras à população camponesa.[vii]

No ano de 1937, a invasão japonesa do território chinês muda o curso da história do país e obriga o líder chinês a fugir da capital para o sudoeste da China. Nesta região, Chiang Kai-shek estabeleceu uma base temporária de onde poderia governar e coordenar a guerrilha chinesa contra as tropas japonesas. A invasão deu origem à criação da Segunda Frente Unida, uma espécie de união entre os dois partidos para combater os japoneses. Todavia, desta vez o acordo apenas contemplava a cooperação militar entre ambos e o PCC manteve na prática a sua independência política e operacional.

Com a rendição japonesa em Agosto de 1945, a frente unida entrou mais uma vez em colapso e deu-se início a um novo período de guerra civil entre ambos. Entre 1946 e 1949, os Estados Unidos tentaram através da diplomacia criar uma coligação entre os dois partidos para que pudessem governar pacificamente a China. No entanto, a iniciativa norte-americana fracassou sempre. No ano de 1949, a guerra civil termina com a vitória dos combatentes comunistas e os membros do partido nacionalista foram obrigados a fugir do país. Chian Kai-shek refugiou-se na Ilha Formosa e estabeleceu aí a nova República da China. Simultaneamente, o líder Mao Zedong proclamou no continente a República Popular da China e reclamou a soberania da Ilha Formosa.[viii] Com a coexistência entre a China Insular e a China Continental nasceu a República Popular da China e o regime comunista actual.

Economia

Hoje, a China é uma nação poderosa que impressiona a comunidade internacional com o seu vertiginoso ritmo de desenvolvimento. Ninguém pode ficar indiferente às elevadas taxas de crescimento que têm sido verificadas no seu produto interno bruto (PIB). Os países mais ricos vêem na economia chinesa uma oportunidade para uma parceria estratégica favorável. Observemos o nosso exemplo mais próximo. As importações chinesas por parte da Zona Euro têm actualmente um peso de cerca de 10% do total europeu, um valor superior ao dos Estados Unidos.[ix] O investimento dos países europeus representa 7% do investimento directo estrangeiro em território chinês.[x] Não será de admirar portanto que, pondo de parte a questão dos direitos humanos, a China veja na União Europeia (UE) um parceiro importante nos seus planos de crescimento a nível internacional. A Europa representa uma alternativa de peso aos Estados Unidos nas pretensões do governo. Todavia, o crescimento sustentado da sua economia não pode centrar-se apenas nas suas relações com o exterior e isso é do conhecimento do partido comunista. A gestão eficaz dos problemas internos tem sido o pilar da economia chinesa. Muitas vezes não temos essa sensação mas a China ainda é considerada um país em vias de desenvolvimento.[xi] Mesmo assim, uma estimativa de 2007 publicada pelo Banco Mundial[xii], indica que, no ano de 2006, a China ultrapassou pela primeira vez a Zona Euro e alcançou o segundo lugar mundial em termos de PIB paridades de poder de compra. Para compreendermos melhor, devemos saber que a utilização deste indicador permite medir, de forma muito aproximada, o valor da economia real. A China contabilizou 15,1% do total internacional e aproximou-se quase do quinto da fatia mundial que a economia norte-americana detém.[xiii] Como atingiu a China tal feito?

Modelo Económico

Nos primeiros passos do regime comunista, o objectivo principal do governo chinês era estabelecer um modelo de desenvolvimento económico sustentado e semelhante ao adoptado na União Soviética, ou seja, uma economia de direcção central. O primeiro governo central encontrou uma solução e decidiu definir os célebres planos quinquenais de gestão da economia chinesa. Os planos ainda hoje são utilizados e, há dois anos atrás, o Congresso Nacional do Povo começou a definir o décimo primeiro plano quinquenal.[xiv] Nesse ano de 2007, o reconhecimento da propriedade privada foi uma das medidas em destaque e um passo importante para ao desenvolvimento económico chinês. A lei da propriedade privada estabeleceu que todos os bens privados ou estatais seriam futuramente reconhecidos de igual modo pelo poder político. Um dos direitos fundamentais das nações modernas e desenvolvidas foi finalmente reconhecido, à semelhança das democracias ocidentais.

Nos últimos trinta anos, a população e o poder político testemunharam um período de enorme transformação social. Iniciada em 1978 sob a liderança de Deng Xiaoping, a grande reforma do regime comunista foi a responsável pelo fenómeno e nasceu com a consciência de que o modelo de direcção central não seria suficiente para permitir o crescimento económico sustentado. A reforma alterou progressivamente os fundamentos da economia fechada de planeamento central e tornou o país numa economia dinâmica e aberta ao investimento estrangeiro. O sucesso das medidas chinesas pode ser comprovado com a observação das taxas de crescimento anual do PIB na ordem dos dois dígitos. O novo socialismo chinês permitiu a uma quantidade significativa da sua população passar de uma situação de pobreza extrema para um nível aceitável de desenvolvimento socioeconómico, mesmo segundo os padrões de vida ocidentais. Aparentemente, a economia chinesa tem tão de sui generis quanto a União Europeia tem como organização internacional.

Desenvolvimento Humano

O resultado da viragem poderá ser verificado pela observação dos dados relativos ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da China. Este elemento de análise utiliza três indicadores para medir o patamar de desenvolvimento das nações. Numa escala de zero a um, utiliza os valores da esperança de vida, o nível de educação e o rendimento médio do país. Com as suas reformas estruturais, o regime chinês conseguiu aumentar em quase 50% o valor do IDH, no período compreendido entre 1978 e 2005.[xv] O aumento representa o dobro do ritmo de crescimento da média mundial.[xvi] Hoje, a China moderna tem um valor muito próximo dos 0,8 enquanto as nações desenvolvidas possuem valores de referência acima dos 0,9. Para atingir os níveis de IDH actuais a administração chinesa definiu em 1980 a estratégia necessária para alcançar cinco objectivos considerados essenciais: expandir a procura doméstica, aperfeiçoar a estrutura económica do país, assegurar a protecção dos seus recursos naturais e ambientais, desenvolver equilibradamente as suas zonas rurais e urbanas e, finalmente, continuar a sua estratégia de desenvolvimento orientada para a tecnologia e educação. Duas décadas mais tarde, no ano de 2002, o governo nacional propôs-se também a atingir os Objectivos de Desenvolvimento para o Novo Milénio.

Educação

Antes da subida ao poder do Partido Comunista, a China possuía uma taxa de iliteracia elevadíssima que, segundo hoje indicam as autoridades nacionais, atingia o valor de cerca de 80%.[xvii] A governação de Mao Zedong não veio alterar significativamente esta realidade pois o programa escolar leccionado no país, durante o seu período, revelou-se completamente desadequado aos desafios a que o líder propunha-se alcançar. O conteúdo escolar consistia essencialmente no estudo do pensamento Maoísta e a sua escolha teve sérias consequências para a geração dos anos sessenta e setenta.[xviii]

A “verdadeira” reforma do sistema de educação só começou a ganhar expressão nos anos oitenta, anos após a subida ao poder de Deng Xiaoping. O governo decidiu neste momento aumentar consideravelmente o investimento público em educação. O objectivo seria canalizar os recursos financeiros suficientes para reestruturar o sistema nacional de educação e flexibilizá-lo de modo a responder às especificidades de cada região que compunha a China.

Em 1986, o Congresso Nacional do Povo introduziu legislação que estabelecia um período de nove anos de escolaridade obrigatória no país. O governo pôde assim ir ao encontro da sua estratégia de desenvolvimento orientada para a educação que fora definida no início da década. As medidas entrariam imediatamente em vigor nas grandes zonas urbanas e até 1990 expandir-se-iam às zonas rurais mais desenvolvidas. Finalmente, por volta do ano 2000, todo o território chinês estaria abrangido pelo novo regime de educação.

(…)

(este texto é parte de um artigo escrito em Maio de 2009)

[i] Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 13

[ii] Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 14

[iii] Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 14

[iv] Chunhou Zhang e C. Edwin Vaughan., Mao Zedong as Poet and Revolutionary Leader  (Chicago: Lexington Books, 2002), 65 e Google, “Mao Zedong as Poet and Revolutionary Leader ”, Google Books, http://books.google.com/books?id=EWtBMQgUGmEC&pg=PA76&dq=isbn:0739104063

[v] Sugestão de leitura: http://www.travelchinaguide.com/cityguides/shaanxi/

[vi] A designação “Pensamento Marxista-Leninista-Mao Zedong” também pode ser utilizada. A designação Maoísmo não é raramente utilizada em território chinês: ”This mixture of philosophy and political dogma is often known in the West as ‘Maoism’ for the sake of brevity, although this usage has never been popular in China.” in Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 15

[vii][vii] Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 15

[viii] A divisão do território chinês em dois, em 1949, criou uma situação internacional sem precedente histórico. A existência de uma China Continental e uma a China Insular, como pode ser comummente designada. Até 1971, as Nações Unidas reconheceram a actual República de Taiwan como a “legítima China” e o país assegurou até então o assento chinês no conselho de segurança. “It needs to be emphasized strongly that this new Taiwan is totally different from the old so-called “Republic of China” which was kicked out of the United Nations in 1971. Resolution 2758 dealt with the question who was representing China in the United Nations. It did not deal with the question of Taiwan’s representation, which is a separate issue, to be dealt with as a follow up on the decisions of the San Francisco Peace Treaty of 1951-52 (see text of the Resolution below).” in New Taiwan, Ilha Formosa, “Taiwan and The United Nations”, New Taiwan, Ilha Formosa: The Website for Taiwan’s History, Present and Future, http://www.taiwandc.org/un-2001.htm

[ix] Matthieu Bussière e Arnaud Mehl., China’s and India’s Roles in Global Trade and Finance, Occasional Papers Nº80/January 2008,   (Frankfurt am Main: European Central Bank, 2008), 7

[x] Matthieu Bussière e Arnaud Mehl., China’s and India’s Roles in Global Trade and Finance, Occasional Papers Nº80/January 2008,   (Frankfurt am Main: European Central Bank, 2008), 7

[xi] Relatório do FMI

[xii] Matthieu Bussière e Arnaud Mehl., China’s and India’s Roles in Global Trade and Finance, Occasional Papers Nº80/January 2008,   (Frankfurt am Main: European Central Bank, 2008), 6

[xiii] Matthieu Bussière e Arnaud Mehl., China’s and India’s Roles in Global Trade and Finance, Occasional Papers Nº80/January 2008,   (Frankfurt am Main: European Central Bank, 2008),5 – gráfico nº1

[xiv] Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 25

[xv] Ministry of Foreign Affairs of the People’s Republic of China and  The United Nations System in China, China’s Progress Towards the Millennium Development Goals 2008 Report (China: United Nations System in China, 2008), 13

[xvi] Ministry of Foreign Affairs of the People’s Republic of China and  The United Nations System in China, China’s Progress Towards the Millennium Development Goals 2008 Report (China: United Nations System in China, 2008), 13

[xvii] Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 70

[xviii] Michael Dillon, Contemporary China – An Introduction (New York: Routledge, 2009), 70

Ubuntu SNAP Store – Update / Refresh

Printscreen de Ubuntu Snap Store

No sistema operativo Linux Ubuntu os utilizadores podem deparar-se com um problema de actualização da Snap Store (aplicação com o nome Ubuntu Software). O erro apresentado não permite efectuar o update desta App e o utilizador/a pode estar a tentar efectuar o reinício e o encerramento do programa por várias vezes.

A solução para este problema é muito simples e pode ser efectuada através do Terminal do Ubuntu.

Primeiro, deve encerrar a janela do Ubuntu Software. De seguida, acedemos ao Terminal e introduzimos o seguinte código para encerrar por completo a Snap Store:

killall snap-store

Depois, vamos efectuar um comando para actualizar a Snap Store e todos os seus componentes:

sudo snap refresh

Os comandos são introduzidos com as devidas credenciais de administrador do sistema operativo. E pronto, no final já está realizado o update da aplicação.

Uma nota adicional para quem quer actualizar outros pacotes do Ubuntu com maior facilidade. Para este efeito existe um programa de nome “Synaptic Package Manager” que está disponível no Ubuntu Software. Através desta aplicação existe uma opção com o nome de “Mark All Upgrades” que apanha pacotes que não estão disponíveis no “Software Updater”.

Quando se acciona a opção “Mark All Upgrades”, a aplicação faz uma pesquisa completa por todos os pacotes de software que estão instalados e detecta os que estão com actualizações em falta. Se houver disponibilidade, é apresentada a opção “Mark additional required changes”. Deve-se clicar em “Mark” nas opções e depois em “Apply”. Todas estas operações requerem direitos de administrador para serem devidamente executadas.

NuScale Power – Energia Nuclear (Pequeno Reactor de Formato Modular)

A NuScale Power é uma empresa que desenvolve soluções de energia nuclear em formato reduzido (se assim se pode dizer) caracterizadas por um formato de menor complexidade. O formato tem a designação de SMR (“Small Modular Reactor”) que em português significa “pequeno reactor de formato modular”.

A empresa norte-americana foi fundada em 2007, na sequência da aquisição de um conjunto de patentes de pesquisa que eram propriedade do Departamento Norte-Americano de Energia e que foram, a partir desta data, desenvolvidas com o propósito de tornar real a utilização de energia nuclear em formato de pequena complexidade.

A aplicação deste conceito permite a utilização e exploração de energia nuclear por parte de pequenas entidades ou empresas. O propósito é muito simples, impedir que aconteçam problemas de arrefecimento deste género de reactores e prevenir os desastres que surgem em incidentes e/ou acidentes de sobreaquecimento.

Para o efeito, neste ano de 2022, os reguladores norte-americanos vão dar o aval à utilização de reactores SMR em contexto de utilização comercial e privada. Este processo de autorização legal demorou quase seis anos a ser avaliado e visou garantir a segurança deste novo processo de geração de energia eléctrica.

Numa altura em que estamos na presença de uma fase de transição energética, de energias fósseis para energias renováveis, a utilização da energia nuclear não é um conceito que reúna grande consenso entre a comunidade científica. No entanto, o potencial da utilização do nuclear é enorme dado o elevado nível de eficiência energética que é alcançado com estes novos “dispositivos”.

Mais, uma das grandes vantagens apresentadas pela NuScale Power é a praticamente ausência de risco de um acidente nuclear de grande impacto, dado que o reactor funciona com água convencional (“água-leve”, ao contrário da “água-pesada” utilizada nas grandes centrais nucleares) e possui um sistema de desligamento e arrefecimento automático em causa de mau-funcionamento ou negligência.

Os novos equipamentos da NuScale Power serão, sem dúvida, objecto de elevada procura a médio-prazo pois, em 2022, estamos numa fase em que há elevada receptividade comercial a soluções de elevada eficiência. Sendo que a opinião pública jogará a favor desta solução, se a questão dos resíduos nucleares for abordada de uma forma integrada na sustentabilidade ambiental das soluções de geração de energia com base em combustíveis sólidos (urânio de enriquecimento fraco).

De qualquer modo, a Comissão Regulatória Nuclear dos Estados-Unidos (Nuclear Regulatory Commission (NRC)) deu neste dia 28 de Julho a sua aprovação para o processo de certificação dos pequenos reactores de formato modular da NuScale Power.

 

O “Dream Chaser” da NASA

Fotografia de: NASA – Banco de Imagens

A nave espacial “Dream Chaser” é o fruto de um projecto inovador da NASA que propõe-se a criar um veículo espacial reutilizável que seja o substituto por excelência do antigo Space Shuttle. Todo o projecto de desenvolvimento e construção de modelos das novas naves está sob a alçada directa da NASA que, em coordenação com o fabricante norte-americano “Sierra Nevada Corporation (SNC)”, espera viabilizar e concluir o mesmo antes do ano de 2020.

A viabilização deste projecto possibilitará uma redução substancial dos custos associados a cada missão espacial, à semelhança dos foguetões reutilizáveis desenvolvidos por privados como a SpaceX ou a Blue Origin, por exemplo. O veículo espacial reutilizável está a ser desenvolvido para ser uma nave com inúmeras características que lhe atribuem uma capacidade polivalente, ou seja, será uma nave preparada para um sem-número de missões com características diferentes. Sabe-se também, desde já que, a Agência Espacial Europeia possui um acordo de cooperação destinado ao uso desta mesma para missões definidas no âmbito dos objectivos espaciais da agência europeia.

A nave espacial está preparada para executar missões tripuladas ou não tripuladas em órbita-baixa, incluindo missões de acesso à Estação Espacial Internacional que incluem transporte de tripulantes e carga destinada a esta mesma. A flexibilidade proporcionada pelas características deste veículo fazem com que este seja apelidado de SUV espacial, à semelhança dos veículos terrestres que possui um espaço versátil de transporte de carga. sabe-se que a SNC desenvolveu um chassis único para a nave que permite um sem-número de configurações adaptáveis a diferentes propósitos, sejam eles científicos, civis ou militares.

Para além das características anteriores, a configuração também pode ser efectuada em função da missão do veículo estar definida para ser tripulada ou controlada à distância a partir de um centro de controlo espacial. Neste momento, as naves que contém um módulo próprio para acolher uma tripulação de até sete astronautas têm a designação inglesa de “Dream Chaser Space System”. As naves destinadas a transporte de carga sem a existência de tripulação a bordo, controladas remotamente, têm a designação inglesa de “Dream Chaser Cargo System”.

No ano de 2017 sabemos já, com quase toda a certeza, que este será o substituto do Space Shuttle na próxima década de 2020. No entanto, apesar da versatilidade desta nave e do historial de excelência da NASA, o Dream Chaser terá de estar à altura do historial de fiabilidade apresentado pelas cápsulas russas Soyuz. As naves russas são “mais rudimentares” mas permitiram dar continuidade a muitas das missões que até então eram da exclusividade das missões executadas por os Space Shuttle norte-americanos. A fiabilidade das naves Soyuz são um ponto de referência e afastam por completo a palavra “obsolescência” destas naves.